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Ouse ousar!

Olá, letreiros!

A crônica ali embaixo escrevi sob encomenda, mas foi rejeitada–uma certa deselegância de quem pediu, mas fazer o quê?

O fato é que uma empresa me solicitou um texto que falasse sobre experimentar o novo, ousar. Pois bem fiz, tentando ser breve e simples, mas ainda assim acharam que o público-alvo talvez não fosse entender. [?!]

Mas não foi que então eu virei alvo de meu próprio texto? Em um momento em que joguei tudo para o alto, acho adequado publicar aqui, sem censuras, ideias despretensiosas que acabaram por se tornar algo!

Ponto.


Crônica

VIAGEM AO FUNDO DE NÓS MESMOS

Lançar-me ao desconhecido sempre rende assunto—não há como ser indiferente às dificuldades e inseguranças que me são postas à frente, mas que, aos poucos, vou derrubando com humor ou perrengue. Nem tudo eu posso, mas eu me estico (até que as pontas dos dedos tateiem o que desejo, fazendo com que ele role ao meu alcance).

Nem sempre esse objeto cai, é fato, mas eu me arrisco. Por vezes canso, escolho a sombra do cochilo, mas torno a levantar para me lançar a uma nova série de alongamentos. Na pior das hipóteses, aqueço a mente—porque não gosto que fique sedentária, ao relento.

Uma vez brasileira em terras longínquas, deixei-me tomar, de início, por aquele sentimento de que a qualquer momento alguma fatalidade poderia acontecer. Paguei para ver ao final do ano passado e estou de volta, vivinha da Silva, cheia de aventuras para contar a quem demonstre interesse por ouvi-las.

O destino é o que menos importa, apenas me antecipo em dizer que a língua falada por lá permaneceu empoeirada no arquivo morto do meu cérebro, empacotada com a etiqueta de 2006, durante meus dias de estadia (em grande parte solitários).

Nos viramos muito bem nessa vida, não tenha dúvidas quanto a isso, porque sabemos nos comunicar. Falamos, além do nosso idioma, a língua do “embromation”, gesticulamos sem parar e dialogamos devagar quando precisamos minimizar todo o ruído que possa existir durante uma conversa entre estranhos (nativos do mesmo país ou não).

Uma vez brasileira em terras tupiniquins, o desafio pode ser ainda maior do que se imagina, porque a conversa flui entre dialetos que parecem não fazer sentido algum para ambos os lados, mas aos poucos vão se “desembolando”.

Em terreno desconhecido, saberia responder à pergunta “Tá de rosca?” sem ficar “cheio de perna”? Pois é isso que se permitir lançar ao desconhecido proporciona à vida: situações incomuns que dão ânimo para continuar, quebrando barreiras.

As expressões acima, traduzidas, significam “Está demorando?” e “Está envergonhado?” lá pros lados de Natal, no Rio Grande do Norte. E é o que pergunto agora. Por que a demora e o que te acanha?

É o que vivo me questionando ao sentir cólicas de fragilidade, por tantas vezes muralhas de concreto. E reajo. Gastaria folhas escrevendo sobre fracassos, mas precisaria de muitas e muitas outras para contar o que conquistei após, ou sem me deparar com, cada um desses desconfortantes seres. E mais centenas delas para relatar o que vivo, independentemente do risco de ter de enfrentá-los.

As viagens, embora reais, são figuras de linguagem neste texto. Não conta, aqui, se viajamos muito ou pouco ou por quanto tempo em nossa trajetória—grandes ousadias de uma vida podem estar em atitudes simples, que não exigem deslocamentos. Basta darmos ouvidos a anseios, sem medo de buscar realizá-los.

A verdadeira experimentação do novo consiste em revolucionar aquilo que está sufocado dentro de nós mesmos, portanto expire!

Por Isabela Rosemback

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