Arquivo do mês: abril 2010

Hilda Hilst

Olá, letreiros!

Como alguns já sabem, e outros tantos não, sou fã incondicional de Hilda Hilst–e brigo com aquele que disser pura e simplesmente “Ah, sim, aquela escritora pornográfica!”, como mídia e desinformados tendem a rotular. Falo da autora criativa e versátil que, se viva, completaria 80 anos no último dia 21.

Para celebrar a data, a Unicamp montou a exposição “Hilda Hilst – Respiros”, que permanece aberta ao público até o dia 21 de maio, de segunda a sexta, a partir das 9h. Nela, o visitante pode conhecer a fundo os desenhos da artista, que extravasava talento para além de seus textos. Eu estou louca para ir!

Ainda como leitora que sou, continuo seca para ver o último documentário–feito com ela–de que ouvi falar. Ainda não cheguei até ele, mas encontrei um aperitivo de “HH – Um Passeio – Uma Conversa – Um dia com Hilda Hilst” no nosso salvador Youtube:



Depois de terem visto este vídeo, recomendo também que procurem o documentário “Simplesmente, Hilda”, gravado com Mora Fuentes sob direção de Ricardo Dias Picchi (NADAnoAR). Já vi, por indicação dos amigos Fábio Shiraga e Paulo Corrêa, e super gostei.

Causo – Também aproveito a deixa para para dividir com vocês como se deu o meu contato com Mora Fuentes, no ano passado. Antes de mais nada, explico que ele, além de ter sido escritor e curador da Casa do Sol (onde morou Hilda Hilst ao final da vida), foi amigo íntimo e o maior conhecedor da obra da autora de que se sabe até o momento.

Pois bem. Em 2009 escrevi matérias sobre a escritora a um jornal. Para isso, liguei para agendar entrevista com Mora na chácara, que hoje se transformou em um centro de estudos hilstianos. Deram-me, entretanto, o contato do hospital em que ele estava internado à ocasião, por complicações no rim, como o caminho para chegar até o escritor.

Sem graça, atendi às orientações e liguei para o quarto em que se encontrava. Uma voz fraquinha falava comigo do outro lado da linha, me deixando ainda mais constrangida. Mesmo assim, o escritor fazia questão de continuar a conversa e dizia que, enquanto pudesse falar de Hilda Hilst, não mediria esforços. E assim  correu um diálogo afetivo, curioso e interessante naquele início de fevereiro de 2009.

Em junho do mesmo ano, Mora Fuentes faleceu. Não ouvi falar sobre isso em lugar nenhum–soube um mês depois, durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), pelos mesmos amigos citados acima. Ao conferir o fato pela internet, encontrei algumas notas curtas e outras referências em jornais de Campinas, essencialmente. Injusto.

Portanto fica registrada aqui, também, a minha homenagem a esse grande escritor e estudioso da obra de Hilda Hilst.

Mora Fuentes na Casa do Sol, junto a 4 dos quase 100 cachorros de Hilda Hilst. Ele era o maior divulgador da obra da escritora. Foto: capturada na internet

Ponto.

Por Isabela Rosemback

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Bem-vinda, Marina!

Olá, letreiros!

Hoje visitei aquela menina linda que deixou todo mundo ansioso nos últimos meses! Fui ver Marina, filha dos meus amigos [desde a infância] Lola e Luiz, que nasceu ontem. Para ela, que é uma pequetitinha muito da dorminhoca, levei um poeminha que fiz com direito a ilustração. A imagem do cartão eu deixo aqui, como uma homenagem de boas vindas à nossa mais nova mascote da turma! 

Pontinho.

Cartãozinho de boas vindas à Marina, com ilustra feita pelo tio Ronny! (clique para ampliar)


Por Isabela Rosemback

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Conversas…

Olá, letreiros!

Adianto que este blog é essencialmente autoral. Maaas, como muito de mim está em Francisco (e vice-versa), abro exceção. Em uma conversa que tem tudo a ver com a proposta deste blog–líquido e boêmio–, meu querido amigo me soltou estas palavras dignas de post. Eis, então, o espaço dedicado aos questionamentos dele. Espero que gostem da viagem!

Ponto.

Meu Eu Sujo

Por acaso sou outro?
Por acaso deixei de ser eu?
Dize-me em quê
Convença-me
E se, de fato, estiverdes certa
Passarei a não ser mais eu
Serei tu!

Por Francisco de Assis, jornalista acadêmico fodido, futuro escritor de mesa de bar.

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Lampejo

Cassaram a onça e nomearam o pavão das penas murchas. O resultado foi que a selva perdeu o interesse em manter-se atenta. O vento abanava o tédio por entre a mata.

Por Isabela Rosemback

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A coruja e o urbano

Olá, letreiros!

Para este post, uma coincidência feliz. Em 2008 escrevi uma crônica sobre o crescimento da cidade pelo ponto de vista de uma coruja que há mais de 10 anos observava em um fio elétrico aqui de São José. Essa coruja se tornou, para mim, um amuleto–além, claro, de um bicho de estimação. Todos os dias passava pelo mesmo local e a procurava. Ao vê-la, super sorria.

Cortando para 2010, nos últimos meses ela já não estava mais lá, e eu estava prestes a escrever um texto lúgubre para lamentar que a minha profecia havia se concretizado.

Foi quando se deu o encontro das coisas: ontem à noite me deparei com a querida professora Thereza Osório em uma rua da Vila Ema. Conversamos, ela sempre muito agitada e simpática, e ela comentou que gostava desse mesmo texto de que falo–que chegou a ser publicado no jornal para o qual trabalhei.

E hoje cedinho, quando olhei para os fios ainda sem esperança de sorrir…  a coruja estava lá! Então, dessa coincidência, me veio a ideia de publicar a crônica neste blog. Espero que gostem da viagem!

Ponto.

A Cidade Por um Fio

Para mim soa estranho prestar este depoimento a um jornal, mas a verdade é que não encontrei outra solução senão esta para expressar toda a angústia por que tenho passado nos últimos anos, onde moro. Digo que esta idéia me assusta pelo simples fato de que por mim passam, diariamente, milhares de pessoas que nem ao menos sabem que eu existo e que constantemente as observo atenciosamente com meus grandes olhos—que, modéstia à parte, são de fazer inveja a qualquer ser humano.

Pessoas, essas, que devem ler este jornal e que a partir de hoje devem passar a reparar melhor em mim, que sou facilmente encontrada nos fios elétricos de uma das principais alças de acesso ao Anel Viário, a Florestan Fernandes–saindo do Vidoca em direção ao centro.

Estou ali há muito tempo e, apesar de curtir mais a noite, eu enxergo bem melhor de dia—característica da espécie, afinal… eu sou uma coruja! O problema é que é justamente de dia que vejo muitas coisas que preferia não ver. E eu as explico já.

 Meu ninho foi feito em um terreno ao lado do poste que sustenta os fios em que passo maior parte do dia. Ali me estabeleci há alguns anos e pude observar uma série de novas construções destruindo o pouco de verde que restava por esses lados. Agora, meu ninho está sendo ameaçado por grandes tratores que chegaram sem pedir licença.

Estas mudanças demonstram o quanto São José tem crescido nos últimos anos e isso me enche o peito de orgulho. Mas meu orgulho é cauteloso.  Para abrir novas avenidas, por exemplo, casas devem ser desocupadas e destruídas, como meu ninho também será. Junto com eles, uma vida inteira, lembranças, suor e perspectivas.

De fato, a cidade deve evoluir… mas não falam tanto em Meio Ambiente e sustentabilidade hoje em dia? Pois então que sejam colocados em prática todos os conceitos aplicáveis aos grandes centros urbanos. Esses tratores…

Sei que milhares* de carros passam diariamente pelo trecho do trânsito que observo todos os dias em um ângulo de 360 graus. Ah… mas não era assim tão cheio quando escolhi esse cantinho para ficar, há mais de cinco anos. Eu me lembro bem que eu respirava melhor e tinha mais sossego naqueles tempos.

A minha vista também era bem mais privilegiada. Não era tão comprometida por espigões construídos, que hoje me impedem de enxergar boa parte do banhado. E quando me dei conta, sem querer havia me tornado uma voyeur tendo à minha frente a rotina dos condôminos que vivem dentro daquelas centenas de janelinhas. Mas fazer o quê? Se não os vejo tenho que me isolar cada vez mais em meu ninho, me afundando em solidão, na tentativa de manter a minha ilusória privacidade.

Pra não dizer que vivo sozinha, às vezes divido o meu fio elétrico com outras duas corujas, mas quem me observa sabe que isso é raro. Na maioria das vezes fico aqui, sozinha, pensando o que cada uma dessas milhares de pessoas que passam de carro no Anel Viário têm para fazer com tanta urgência. Pressa, essa, que causa tantos acidentes e moléstias da modernidade, como o stress.  

E essa minha angústia é tanta, que até eu já me sinto cansada. Apavora-me a idéia de que, se a mata inteira já virou cidade, eu mesmo já esteja virando uma urbanóide. É o preço do progresso, caro assim.

Por Isabela Rosemback

* No texto publicado no jornal tinha o dado cedido pela Secretaria de Transportes. Vou procurá-lo e atualizar.

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Aos que chegaram e estão vindo

Olá, letreiros!

Ainda revirando meus arquivos de 2005, encontrei um poema que tem tudo a ver com o contexto de agora, quando sobrinhos e filhos de amigos super queridos estão chegando para nos encher ainda mais de alegria. Esta, então, fica sendo uma homenagem à Letícia, à Marina, ao Gabriel, ao Raí, ao meu afilhadinho Lucas e a todas as outras crianças que estão vindo à luz e que eu já adoro! E uma homenagem também às mães, claro! Espero que gostem da viagem!

Ponto.

…: Vindo

Seco rubro em corpo dela
Dela outra, então, riacho
Corrente, não vermelho
Óia! Óia só que belas águas!
Ela que não se vê, apenas sente
Só sente ela

Outra que de tanto se esconder,
à luz tiflose
Mas ainda assim, empelicado riacho
que à terra move
Que lindo rio se fará, pensa ela
Que puro rio…

Por Isabela Rosemback

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Antigos rascunhos atuais

Olá, letreiros!

Passei o final de semana longe daqui e acabei mal, de cama. Mas para não deixar este espaço parado, resolvi então resgatar uns textos curtos que publiquei em um velho blog, que mantinha nos idos de 2005. Nem mexi no estilo, deixei como estavam. Tenho simpatia por eles… espero que gostem da viagem!

Ponto.

Panaoquê?

“PANACÉIA” *. a menina triste ouviu e não entendeu. ‘panacéia?’, pensou… e a conversa tornou-se cinzas fonemas que entravam baixiiiiiiinhos em seus ouvidos. ‘panacéia…’, fechando os olhinhos. e fantasiou palhaços, picadeiro, bailarinas. cambalhotas e trapezistas. E rolou entre as cores… a gargalhar!!

No caminho

No ditado ouviu: atravessar. e mesmo não sabendo direito foi lá e o fez. escreveu certinho, como manda a norma: A-T-R-A-V-E-S-S-A-R. Acertou! E todos ao seu redor adoeceram. de uma tristeza tão desusada que lhes vinham à boca bolinhas de isopor. E desde aquele dia não soube escrever outra palavra senão esta, afastando de si os que hoje soletram R-E-V-I-V-E-S-C-E-R.

Por Isabela Rosemback

* Em 2005, quando foi escrito este texto, o acento existia. Preferi deixá-lo.

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