Folha seca

O que fazia aquela folha ser melhor do que as outras que a cercavam era a sua crença de que ela era a mais forte de todas, por sua formação. Esta era a mais verde da copa, e creditava este sucesso à vantagem de ter, em seus primórdios, se desenvolvido em uma posição privilegiada, bem ao sol. E, com o crescimento do tronco, ela também acabou ocupando um dos galhos mais altos da árvore, o que lhe conferia certo prestígio. Ela adorava tudo isso porque, além de observar a todos de cima, ainda tinha a certeza de que em uma remota chance de fragilidade, sua queda seria amortecida por aquelas que avolumavam a sua vizinhança. Mas o que a verde folha não percebia era que, do topo de sua ensolarada convicção, ela acabava por condenar à sombra as demais integrantes da copa, o que fazia com que ela não as conseguisse enxergar por completo. Por mais que dissesse que conhecia a todas profundamente, sua vista era parcial. Um dia se deu conta disso, de maneira trágica. Enroscou-se em um fio da rede elétrica e levou um choque de realidade, sendo arremessada com assustadora velocidade ao chão, após sofrer uma poda por serra elétrica. Lá de baixo, enquanto perdia sua coloração, a folha se deu conta de que, na mesma árvore em que sempre acreditou reinar, penduravam-se ricos frutos doces e de alegres cores, que todos os dias atraíam dezenas de pessoas para o pé de sua morada. Morreu sem entender nada, sob os olhares incomodados daqueles que conseguiam se desenvolver com menos luminosidade.

Por Isabela Rosemback

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