Aspereza (a crônica que virou poeira)

Sim, eu quero ajudar. Mas é claro que posso, sempre. Imagina, em nada me incomoda. Diga, o que quer de mim? – O pó!— pois então esse já está prestes a se espalhar ao vento. E alguns cobrarão – Não quero grãos!— sabe por quê? Porque nem todas as galinhas enchem o papo com migalhas. A vida hoje é a milhão! Uma porção em três investidas, nem se engasgam mais. E se um ‘cof’, têm de engolir em seco. Não! Não foi isso que sonharam, todos, para a vida deles. Mas, sim! Todos aceitamos a situação. E nos pegamos tendo espasmos de egoísmo. Atirem os dardos, porque estamos no centro do alvo… e adoramos! Isso nos torna mais vivos e fortes, não é isso? “Eu aguento o tranco, me supero a cada dia”. Sim: supera-se aquele que sabe dizer um belo ‘não’ quando deve ser dito. Sobrevive quem entende a hora da defesa. Segue em frente, assim, o que sabe furar a onda antes que ela o arraste para a areia, onde certamente seria esfolado até que nela se transformasse. E seria, então, pisado por aqueles que, correndo, chegam ávidos por arriscar um primeiro e desafiador mergulho na mesma praia em que morrem os outros. A água  sempre pronta para lascar a rocha, soprando as partículas que se acumulam no chão.

Por Isabela Rosemback

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5 Comentários

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5 Respostas para “Aspereza (a crônica que virou poeira)

  1. Eu

    Muito texto. Tô com preguiça de ler.

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