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Alô, (meu) Houaiss!

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Reprodução da página 338 da 2ª edição (revista e revisada) do míni Houaiss, ano 2004 ::: Editora Objetiva

Quedê a felicidade? Quedê a fêmea, com suas feminices e feminismos? Quedê o fêmur da fera felina? E o fedor, como defines? A febre, a fecundação? Quedê o feijão nosso de cada dia, a brasileira feijoada? O feno do cavalo, o felpudo casaco para os dias gélidos? A fenda na pele, que não cicatriza? Fenece? O gosto amargo de fel, de Gonzaguinha? Quedê o feio para se impor ao belo? O fenômeno e o feitiço, em contraponto ao previsível, ao racional? A petulância do fedelho? A fécula para o meu nhoque? A fechadura para trancar segredos? És, agora, o feitor das palavras? Mas quedê, que não existes nas próprias páginas? Ah, mas que fementido glossário!

Por Isabela Rosemback

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Som Color

Olá, letreiros!

Um dia me perguntaram que cor tinha a minha voz. “Azul bebê”, respondi instintivamente. Achei engraçado… nunca havia pensado em dar cores a sons meus. A mim, eles pareciam ser sempre transparentes. Mas não, eles são coloridos! Foi inevitável que me debruçasse sobre essa ideia por mais tempo. Cheguei à desconfortante hipótese de que os de fora poderiam atribuir à minha fala tons mais sombrios que os que ouço—pois nunca nos escutamos da mesma maneira como os outros nos ouvem. Depois caí em associações: se com brabeza, timidez, medo e alegria as nossas cordas vocais oscilam, alternaria a nossa voz, também, diferentes tonalidades pictóricas? E mais. Será que, como as frutas, conforme vamos amadurecendo essa mesma voz pode mudar completamente de cor? Passei a me entreter com as colorações disponíveis na palheta da poesia, para buscar aquelas que pintariam minhas palavras sonoras de agora e do futuro. O resultado foi um quadro abstrato, interrompido pelo silêncio da dúvida.

Ponto.

Por Isabela Rosemback

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