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Cotidilema

A gente tem mania de falar de outras gentes
Quando quer fugir da própria mente  
A gente mente, vira indigente   
Desconhece a si própria        
Por reincidentes minutos pungentes

A gente usa as gentes mudas, estáticas    
Como escudos pra manter a própria face intacta       
Mas por dentro a derme inflama        
E a carapuça veste a vazia carcaça       
Por onde se propaga a coisa falsa

A gente é coisica de nada        
Um ser insignificante diante das gentes      
E as gentes não se entendem        
Porque moldadas em símbolos,      
Por mais que pareçam inteligíveis

A gente é ser flutuante       
Alicerçada no vácuo das ideias vagas       
Sobre tudo e contra todos      
Porque é várias, quando cada uma

A gente precisa das gentes            
Porque precisa ser plural    
Mesmo que a rima não se faça presente

Por Isabela Rosemback

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